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Gosto muito de comunicar e outra via que tenho encontrado para informar é a da escrita de artigos e entrevistas para várias plataformas de comunicação, assim como as parcerias artísticas em que a mensagem positiva de corpo, sexualidade e beleza sejam celebradas.

O Orgasmo feminino na prática

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  • Publicado quinta, 18 janeiro 2018
  • Autor

    Tamar

  • Sobre o autor

    Consultas de sexualidade consciente e desenvolvimento pessoal. Sabe mais aqui e aqui. Workshops de saúde íntima feminina. Sabe mais aqui. Queres agendar uma consulta ou participar numa formação? Contacta por aqui

Quando se tem, sabe-se. A questão é ter. Para umas mulheres, o orgasmo é o amigo visível (e, possivelmente, também audível ;) ). Para a maioria, continua a ser um mistério. 

De acordo com as estatísticas, apenas 1 em cada 10 mulheres atinge o orgasmo. Números que mantêm-se persistentemente baixos. Numa época de emancipação da mulher e em que há mais informação disponibilizada. Estranho? Sintomático. Há tanto tabu ainda à volta do tema, há a crença de que não se é merecedora e digna de arrebatamentos e estremecimentos de prazer luxurioso, há a ideia de que cabe à parceria dá-los. 

Estou aqui para que te dizer que não só é possível, como há uma alta probabilidade de passares a ter orgasmo(s) se adotares uma perspetiva integral acerca do teu corpo! Vamos às dicas poderosas: 


#1 - Esclarece-te

. O termo orgasmo tem origem grega, significando inchar e plenitude. É, pois, o grau mais alto de satisfação sexual, de um ciclo de resposta sexual com as seguintes fases para a mulher: 

1ª Excitação - os lábios da vulva incham e a vagina lubrifica. 

Há mulheres que, por falta de conhecimento ou por estarem focadas na preparação mental para o momento sexual, não sabem identificar ou correlacionar o grau de lubrificação e o estado de excitação. Por outro lado, é comum e natural a excitação física da mulher acontecer mais lentamente do que a do homem mas isso pode fazer com que não atinja um nível alto de excitação, sobretudo se se deixar levar pelo ritmo e timing do parceiro;

2ª Planalto - o útero eleva-se, os lábios da vagina aumentam de volume e escurecem e a vagina mantém a lubrificação, devido à maior irrigação sanguínea. Acresce aumento da temperatura corporal, a aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração, o entumescimento dos mamilos com aumento ligeiro do tamanho das mamas. 

Esta fase antecede o orgasmo e é aquela que, na maioria das vezes, é ultrapassada ou acelerada. É muito benéfico para ti e, consequentemente, para a tua parceria haver a possibilidade de te manteres num estado de excitação elevado. É fundamental garantir que os teus gostos, necessidades e vontades sejam cumpridos. Cada mulher é uma mulher e só tu saberás o que mais e melhor alimenta o teu desejo e excitação e só tu poderás comunicar isso à tua parceria. Se o orgasmo é um pico, como o de uma montanha, concentra-te em garantir que estás bem apetrechada durante a caminhada ou poderás não chegar lá! 
 
3ª Orgasmo - há contrações no terço superior da vagina e no útero, a cada 0,8 segundos, acompanhadas por uma sensação prazerosa de libertação e leveza e, em alguns casos, de estremecimentos e espasmos corporais.

A intensidade do prazer varia de mulher para mulher e até na mesma mulher; há algumas mulheres que têm uma capacidade maior de estimulação e, assim, chegar ao orgasmo e outras que nem sabem identificar se os tiveram porque não estão habituadas a ter ou porque geralmente são de natureza subtil. 

4ª Resolução - o útero desce e a vagina volta ao seu volume regular, o afluxo sanguíneo para a pélvis abranda, tal como a respiração e os batimentos cardíacos. 

O termo resolução parece indicar um fim mas refere-se somente a uma regularização. Na verdade, e ao contrário do homem que apresenta um período refratário após o orgasmo que o inibe fisiologicamente da consumação sexual, tu continuas fisicamente ativa e, com a devida estimulação, é bem possível voltares às fases subsequentes até teres novo(s) orgasmo(s). 

Quem disse mesmo que somos a parte fraca? :) 


. Não tens orgasmos... ou só não tens orgasmos durante a penetração do parceiro?
 
Numa boa parte das mulheres que acompanho que chega a queixar-se que não consegue ter orgasmos, o que acontece é que não tem orgasmos com a penetração. 

Na verdade, podem acontecer orgasmos através de sexo oral, toque manual, do recurso a artigos sexuais e, até, orgasmos energéticos (não implicam qualquer toque físico). E podem acontecer durante um ato sexual partilhado ou quando estás contigo mesma. 

Lembra-te de que tudo aquilo que vês, ouves e lês acerca de sexualidade pode decorrer da visão predominantemente masculinizada do sexo, mais centrada no desempenho, nos resultados e... nos pénis, claro! Não que seja pior ou errada, apenas está incompleta e desequilibrada se não for complementada com os aspetos biofisiológicos e emocionais femininos. 

Assume o timing que precisas, comunica o que necessitas ou dá-o a ti mesma sobretudo nas 2 primeiras fases da satisfação sexual. Lembra-te que a vagina é um órgão interno (ao contrário do pénis) e, como tal, concebido para receber e, isso, implica abertura, segurança, confiança. Em ti, na parceria, no ambiente circundante. Não é coisa pouca. Mas é a tua maior dádiva e fonte. E que podes e deves ter um papel ativo na satisfação das tuas necessidades. É até justo, maduro e empoderador. 


#2 - Descobre a tua anatomia

. Clítoris e vagina: nos antípodas ou vizinhos?

Persiste ainda a distinção entre orgasmo clitoriano e vaginal, sendo que a maioria das mulheres, reporta só ter orgasmos clitorianos. E se eu te disser que essa distinção é irreal? Mesmo? Bom, não sou eu que digo, é a própria medicina, com base na anatomia do clítoris. Externamente, temos o prepúcio e a glande, que podemos ver a ingurgitar quando estás excitada porque, tal como o pénis, o clítoris é um órgão erétil. Acontece que ele continua para dentro e, até bem profundamente, com um corpo com 2 ramos longos que envolvem grande parte do canal vaginal. Temos, por isso, uma vizinhança bem próxima e calorosa entre clítoris e vagina. Confere no link a parte a rosa da imagem! 

Por outro lado, importa também chamar a atenção para os vários pontos de prazer localizados na vagina, sendo o mais falado o ponto G, mas não necessariamente conhecido. A notícia que tenho para ti é que só tu poderás descobri-los:

- Por ser um órgão interno, a vagina não recebe muita da tua atenção no dia-a-dia. Olha para ela com um espelho, deixa os julgamentos desvanecerem-se na tua cabeça como nuvens no céu e apenas observa, com um espírito curioso e exploratório;
- Toca-te subtil e gentilmente, sem nenhum objetivo para ser cumprido. Insere 1 ou 2 dedos na tua vagina com o propósito de descobrir a sua estrutura, textura, temperatura, muco e zonas de prazer ou de ausência de sensações. 


#3 - Tonifica-te

No oriente é muito comum praticar-se o pompoarismo, no ocidente os exercícios Kegel. Varia a designação mas o propósito é semelhante: reforçar a musculatura pélvica da mulher, porque a resposta sexual é neuromuscular.  

. Como podes tonificar a tua vagina?

- Experimenta apenas contrair e relaxar as paredes vaginais, juntamente com os lábios externos e as nádegas, ao mesmo tempo que inspiras na contração e expiras no relaxamento. Começa por fazer 10x ao teu próprio ritmo, seguido de 10x bem lentamente, seguido de 10x mais rápido e, finalmente, 10x novamente ao teu ritmo mas em que suspendes a contração e a inspiração por uns segundos até voltares a relaxar. Podes fazer diariamente, inclusive durante o trabalho ou as atividades de lazer. 
Talvez precises de uma prática continuada e com acompanhamento profissional, se não conseguires sentir esta zona ou perceberes que o grau de contração a que consegues aceder é fraco. 


#4 - Liberdade para dentro da tua cabeça

Pois é, isto até tem piada mas se te sentires desconfortável só com alguma das ideias até aqui abordadas é muito provável que não as ponhas em prática, o mesmo é dizer, levá-las para a melhoria da tua vida sexual. 

. Começa a prestar atenção às tuas inibições e fantasias sexuais:

- Reserva um momento, puxa de um papel (para as oldschool como eu; para as outras é mesmo a tua tecnologia preferida) e escreve as crenças, os pensamentos e os julgamentos que tens acerca do prazer da mulher; da sua postura sexual; do teu corpo; do que, em criança, te disseram acerca do sexo, dos relacionamentos e do ser mulher. 
Depois respira fundo e liga-te à mulher que és hoje, o estilo de vida que adotaste, para que direção pretendes seguir. Há uma forte probabilidade de, pelo menos, algumas dessas crenças serem limitativas e não te servirem para nada. Puxa de outro papel e agora escreve somente essas crenças limitativas. Depois risca-as e rasga-as ou queima-as. Sentes-te mais leve? ;) 

- O desejo começa mesmo na cabeça, como se diz. Permite-te entrar em contato com as tuas fantasias e desenvolve a tua inteligência erótica. A maioria de nós tem nas suas fantasias sexuais cenas misteriosas, proibidas, perigosas e, até, violentas. Lembra-te que servem sobretudo como combustível para a escalada do teu desejo e prazer e que não têm necessariamente de ser realizadas. Aceita-as, são tuas. Compõe-as com detalhes e nuances e descobre como podem servir-te no sexo. 


#5 - Cuida das tuas emoções e sentimentos

Tal como os pensamentos, as emoções e sentimentos que vives impactam a tua disponibilidade para o prazer e para a relação sexual. Há que prestar atenção, portanto, e cuidar deles. O desejo feminino é tendencialmente mais permeável a tudo o que acontece fora das 4 paredes - comportamentos e atitudes da parceria, sobrecarga de tarefas, nível de realização pessoal, grau de segurança e confiança nas suas relações íntimas, entre outros. 

O que escondes e não partilhas, o que te faz sentir medo, aquilo por que te culpas e a raiva acumulada inibem tremendamente a ligação ao teu lado sensual e libidinoso, aquele que expressa o fogo do desejo. Se não te sentes confiante em ti mesma ou segura e apoiada no relacionamento, mais dificilmente conseguirás entregar-te ao momento e à parceria, mais dificilmente a vagina lubrificará e irrigará (o que leva a hipersensibilização, logo, prazer), mais dificilmente deixarás que o orgasmo - esse descontrolo absoluto e momentâneo face a tudo o que julgas que és, fazes e tens - ocorra. 

. Vai ao/com coração! 

- Reserva 10 minutos para levar toda a tua atenção ao centro do peito e respirar profundamente pela boca. Apenas isto mas com a tua máxima presença e consciência. Visualiza, imagina ou sente a textura, a temperatura, a musculatura, o peso do centro do teu peito. E respira como se o ar entrasse pelo centro do peito até à boca (na inspiração) e descesse da boca para o centro do peito e depois para fora do teu corpo (na expiração). Se se tornar desconfortável, abranda a respiração ou faz apenas por 3 a 5 minutos e repete noutros dias. É um verdadeiro 2 em 1: trabalhas as tuas emoções enquanto meditas!


É natural que continues com inibições, é natural que continues com dúvidas. Mas nada vai mudar se não começares por algum destes pontos. Experimenta e tudo muda.  

Respira. Permite-te. Confia! 

 

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© Juliana Mendonça Santos

Tamar

Socióloga | Formação e Mentoria em Desenvolvimento Pessoal e Sexualidade Consciente

Trabalho com Desenvolvimento Pessoal e Sexualidade Consciente, inspirando a relação informada e saudável com o corpo e a vivência da intimidade como lugar de ligação ao eu, à parceria e à vida.

Encaro a ligação ao corpo e a cura pelo prazer como a base terapêutica para a transformação pessoal e acredito que são tanto inovadores como dos mais potenciadores para a descoberta de quem se é.

Desde 2008 que venho a reunir formações em técnicas holísticas energéticas, Sexualidade Sagrada, Tantra, Bodywork e Feminino Consciente e, em 2012, fundo O Mel da Deusa e começo a facultar sessões individuais terapêuticas ou de acompanhamento em Sexualidade e formação, consultoria e mentoria nas áreas de Awareness, Desenvolvimento Humano e Sexualidade. Em 2017, crio o Circulário para poder trabalhar, de forma mais aprofundada e diversificada, a educação para a consciência do feminino.

Tenho a Sociologia e a Gestão de Recursos Humanos como base académica e trabalhei em organizações durante 14 anos, parte dos quais com funções de direção e, como formadora profissional certificada, reúno centenas de horas ministradas em formação comportamental.

O meu sonho é o de co-criar um futuro em que cada pessoa pode ser ela mesma, a cada fase da sua vida, com presença, entrega, confiança, força pessoal, beleza, alegria, sabedoria e amor; em que cada pessoa chama a si o seu poder de transformação e evolução e apoia outras pessoas e movimentos sociais; em que o prazer é a viagem e o destino e a inteligência do corpo reconhecida e celebrada.