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Gosto muito de comunicar e outra via que tenho encontrado para informar é a da escrita de artigos e entrevistas para várias plataformas de comunicação, assim como as parcerias artísticas em que a mensagem positiva de corpo, sexualidade e beleza sejam celebradas.

Quantas vidas cabem na vida de uma mulher?

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  • Publicado quarta, 04 julho 2018
  • Autor

    Tamar

  • Sobre o autor

    Consultas de Sexualidade Consciente e Desenvolvimento Pessoal Feminino. Sabe mais aqui e aqui. Workshop Circulário em Outubro em Lisboa e Porto. Sabe mais aqui. Queres agendar uma consulta ou participar numa formação? Contacta por aqui.

Quando falamos de começo, do ponto de vista humano, tendemos a associá-lo fisiologicamente ao nascimento, em oposição ao fim que é a morte. Mas são precisamente as experiências humanas por que vamos passando na vida que nos apresentam outras possibilidades de começos (geralmente precedidos de mortes) psicológicos: o despedimento, o divórcio, a parentalidade, a morte de uma pessoa querida, a doença, entre outros. 
 
E a mulher, quantos começos tem ela mesmo? 
Há uma ligação intrínseca e direta da mulher aos ritmos e fluxos inerentes à criação, não só de seres físicos mas também de ideias, projetos e causas. Esta ligação estabelece-se a partir do corpo e do sistema endócrino, com impactes a nível psico-emocional e mental e tem três fases/começos principais:
 
  • A da criança que dá lugar à jovem - com a primeira menstruação e a primeira experiência sexual;
  • A da jovem que deriva na mãe/amante - com a primeira gestação de um bebé ou de ideias e projetos com o seu cunho pessoal e o amadurecimento do seu perfil erótico e sexual;
  • A da sábia - que chega com a perimenopausa e a menopausa. 
 
Em qualquer das áreas de vida há muitos ganhos na tomada de consciência acerca destas fases de vida, porque na verdade elas não são somente biológicas (idade), como também psico-emocionais (ciclos). Cada fase é uma escola em si porque apresenta à mulher novos desafios, perspectivas e posicionamentos ao mesmo tempo que a dota internamente dos melhores recursos para lidar otimizadamente com eles. Vejamos: 
 
  • À jovem é-lhe apresentado como estado psicológico predominante a aprendizagem. O seu corpo transforma-se e a sexualidade convida-a à descoberta do seu potencial criativo, através do despertar da libido e da maior atratibilidade, A vida torna-se sedutora e excitante e o espírito de descoberta inocente, aventureiro e exploratório predomina, também porque ainda não tem no seu histórico más experiências. Daqui vem a capacidade de se entregar, inteira, ao momento. Contudo, é igualmente nesta fase que despontam algumas questões depreciativas, tais como: não gostar de ser mulher, porque percebe diferenças injustificadas no tratamento de género; vergonha do corpo e da menstruação; as limitações que trazem as dores menstruais, a responsabilidade de poder gerar crianças; o assédio de homens mais velhos e o bullying com o seu processo de crescimento;

  • Já para a mãe a jornada psicológica é a da aceitação da responsabilidade. Cuidar torna-se a palavra de ordem: assegurar o bem-estar do bebé, desenvolver a paciência, colocar em primeiro lugar as necessidades da cria face às suas.  Dar à luz ensina o significado mais profundo de rendição à sabedoria inata do corpo e provoca a mudança de consciência mais repentina e poderosa de todas na vida. Muito influenciada pelas hormonas da gestação e da amamentação, potenciadoras da  ligação e da nutrição emocional, a sexualidade transforma-se: primeiro, com a ausência de libido, depois a descoberta de uma sexualidade já não baseada na gratificação pessoal mas na geração de amor compassivo e nutridor para o companheiro, mais disponível para render-se ao prazer sexual e responsabilizar-se pela criação das condições erótico-sedutoras que levam à relação sexual. Porém, este começo implica transformações no corpo, por vezes, irreversíveis; falta de apoio e depressão; dificuldades na conciliação entre as ações de mãe e de mulher/amante; resistência a  mudar a atenção para outras áreas da sua vida, para além da maternidade. Para que não foram mães, pode surgir frustração e senso de incompletude, quando o que importa é perceber que o que é para ser vivido neste começo é a criação: se não é de seres físicos que seja de expressão artística, avanços tecnológicos, legislação inovadora. novas organizações... enfim, dar à luz o que têm para colocar no mundo! 

  • No caso da sábia, o desenvolvimento psicológico assenta na partilha da sua sabedoria. Após décadas de conhecimento acumulado através da educação e da experiência de vida, a mulher é chamada a assumir a sua mestria. Comunicar, cultivar as suas paixões, organizar movimentos, aderir a causas representam o amor, outrora umbilical, ao serviço da comunidade. Este pode ser o começo mais produtivo na vida da mulher. Para muitas, os filhos são já jovens adultos, o que traz maior autonomia e mais tempo livre para a mulher e, mesmo aquelas que são mães mais tarde, reportam maior disponibilidade para conciliar ambos os papéis. 
 
Em termos de processos corporais, este começo não é tão abrupto como o da mãe porque o fim da menstruação pode levar vários meses ou anos. No entanto, é altamente influenciado também pelas hormonas que levam a novas transformações no corpo e a variações mais fortes nos humores. Estas questões são atenuadas, sem dúvida, se ela e a sociedade tirarem o foco ao fim da sua função reprodutora e da sua decadência e dirigirem a sua ação para a vivência de sonhos não concretizados, de uma voz mais expressiva no mundo e de uma sexualidade mais livre. 
 
Cada começo é, assim, uma transformação e todos estes começos psicologicamente estão na mulher, independentemente da sua idade. Como é que qualquer ação empreendedora não beneficia disto? A criatividade, a capacidade de adaptação, a resiliência, a empatia, o respeito pelo individual e pelo coletivo, a doação e a flexibilidade estão entre as principais qualidades necessárias para que os começos sejam férteis e generativos, criando sustentabilidade. 
 
Faz falta falarmos mais das oportunidades que naturalmente cada começo dispõe e que são chaves para a afirmação pessoal e realização mais completa de cada mulher. A mulher carrega ainda muita vergonha, culpa, medo e raiva devido à forma como as suas transformações e papéis foram encarados pela família, pela escola, pela igreja e mesmo por outras mulheres. Faz falta integrar que é natural (re)começar as vezes que for preciso cada uma destas três fases. Nunca será a mesma coisa e, justo por isso, ela evolui ao aprofundar as camadas de consciência acerca de si mesma e de sabedoria acerca da vida. Ainda há muitas mulheres que se limitam a viver o que mais querem devido à idade, a uma autoestima enfraquecida e à preservação de uma imagem social castradora. 
 
Que maravilha uma mulher sábia que traz em si viva a jovem com a sua alegria espontânea e vontade de aprender! Que benção dispor das qualidades amorosas de uma mulher mãe num projeto profissional. Que sonho uma sociedade que, ao invés de continuar a acentuar a discriminação do género feminino e o desrespeito pelo corpo e pela sexualidade feminina (afinal sem ela nenhum começo é possível) passa a educar para novas atitudes e a fomentar a integração das competências soft (e tão poderosas) nas áreas-chave da sociedade: saúde, educação, cultura, justiça, ambiente.
 
Acredito, com todo o coração, que somos as mulheres que poderão empreender esta obra! Juntas já estamos. Começamos? 

Em outubro estamos de volta com os Workshops Circulário, onde abordamos os ciclos internos do feminino com técnicas e práticas de autoconhecimento e regulação. Até lá, continuamos no grupo do Facebook. és muito bem-vinda! 
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© Juliana Mendonça Santos

Tamar

Socióloga | Formação e Mentoria em Desenvolvimento Pessoal e Sexualidade Consciente

Trabalho com Desenvolvimento Pessoal e Sexualidade Consciente, inspirando a relação informada e saudável com o corpo e a vivência da intimidade como lugar de ligação ao eu, à parceria e à vida.

Encaro a ligação ao corpo e a cura pelo prazer como a base terapêutica para a transformação pessoal e acredito que são tanto inovadores como dos mais potenciadores para a descoberta de quem se é.

Desde 2008 que venho a reunir formações em técnicas holísticas energéticas, Sexualidade Sagrada, Tantra, Bodywork e Feminino Consciente e, em 2012, fundo O Mel da Deusa e começo a facultar sessões individuais terapêuticas ou de acompanhamento em Sexualidade e formação, consultoria e mentoria nas áreas de Awareness, Desenvolvimento Humano e Sexualidade. Em 2017, crio o Circulário para poder trabalhar, de forma mais aprofundada e diversificada, a educação para a consciência do feminino.

Tenho a Sociologia e a Gestão de Recursos Humanos como base académica e trabalhei em organizações durante 14 anos, parte dos quais com funções de direção e, como formadora profissional certificada, reúno centenas de horas ministradas em formação comportamental.

O meu sonho é o de co-criar um futuro em que cada pessoa pode ser ela mesma, a cada fase da sua vida, com presença, entrega, confiança, força pessoal, beleza, alegria, sabedoria e amor; em que cada pessoa chama a si o seu poder de transformação e evolução e apoia outras pessoas e movimentos sociais; em que o prazer é a viagem e o destino e a inteligência do corpo reconhecida e celebrada.